A equipe do ProLab Sustentável está desenvolvendo uma pesquisa de pais e mães que teletrabalham no confinamento. Sabemos que o nosso trabalho mudou de forma abrupta. Nós, de repente, temos em um tempo intenso, que cuidar, educar, ser professoras, cozinheiras, psicólogas, limpar casa, roupa, panelas, monitoras de tempo livre… e tudo isso em um espaço confinado.
Estamos nesta rotina há quase 2 meses e serviços que tínhamos antes, como a escola, sumiu da nossa rotina, tivemos que incorporar este papel e sem preparo. Ademais, o nosso trabalho não se ajustou à nova rotina. Esta situação coloca em xeque algumas questões, entre elas o compartilhamento das tarefas domésticas, que usualmente fica predominantemente orientado para as mulheres. Isso nos auxilia a questionar uma frase comum: “ele até me ajuda”, mas “a criança até me ajuda”. Isto é, a figura feminina é, comumente, colocada como o epicentro do lar. Agregado a isso as mulheres se culpam do fato da casa não estar limpa, arrumada e, por vezes, sequer se permitem um espaço para restauro.
Restauro das mães é importante, fundamental. Nossa pesquisa com pais em situação de teletrabalho na pandemia nos permite dizer que as mães se restauram pior e menos do que os pais. Isso não é bom nem para elas, nem para nossas famílias, nem para a sociedade. Segundo Sabine Sonnentag e Charlotte Fritz a experiência de restauro são alternativas que, se utilizadas, auxiliam a manter o sistema (o corpo e mente) funcionando de maneira saudável.
Há quatro tipos de experiências de restauro: Distanciamento psicológico, Relaxamento, Desafio e Controle. A primeira refere-se a tentar desligar-se assistindo a séries de TV, Relaxamento congrega estratégias como Yoga e meditação. O Desafio faz referência a aprender algo novo como um idioma e Controle é a escolha de quando e o que queremos fazer. Nossas pesquisas (e outras também) revelam que Distanciamento psicológico é a única que tem se apresentado como não protetiva ao sistema. Todas as outras têm efeitos positivos.
Dados preliminares da pesquisa mostraram que as mães têm utilizado mais distanciamento psicológico do que os pais. E os pais tem utilizado mais de todas as outras estratégias: relaxamento, controle e desafio.
Em termos práticos recomendamos o seguinte: mãe, abra um espaço na sua agenda para estratégias de relaxamento, de desafios intelectuais e controle. Converse com a família e com a chefia.
Cuidando-se, você cuida da família e de todos viabilizando o longo prazo. Saia (para um cômodo diferente da casa!), faça um café com pão de queijo e tome em paz. Não se culpe se as crianças passarem umas horas a mais na frente da TV ou no tablet e sim aproveite este tempo para se restaurar: medite, aprenda algo novo, decida e organize quando as crianças farão isso para que você possa fazer aulas de aquarela; e não para limpar a casa ou terminar de cozinhar! Faça isso por você, por eles e por nós todos.
Pesquisadoras (e mães!) do ProLab responsáveis pela pesquisa: Dra. Fabiana Queiroga & Dra. Amalia Pérez-Nebra; Pesquisadores associados responsáveis pela pesquisa: Dr. João Gabriel Modesto & Dra. Marilena Bertolino.

Link para a pesquisa:
🇧🇷 https://bit.ly/teletrabalhocovid19
🇫🇷 https://bit.ly/teletravailcovid19

Agradecemos se puderem contribuir respondendo!

Mestrado em Psicologia: https://www.uniceub.br/pdp/mestrado-e-doutorado/psicologia/mestrado-em-psicologia-


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