A “Síndrome de Burnout”, tradução da expressão em inglês queimar-se, é uma doença psíquica de caráter depressivo, precedida de esgotamento físico e/ou mental intenso. Está relacionada a determinadas categorias profissionais, nas quais os trabalhadores expostos a situações de tensão prolongada estão nos grupos de risco. Os sintomas se assemelham a ansiedade e depressão, como dores de cabeça sistemáticas, tonturas, tremores, falta de ar, oscilações de humor, distúrbios de sono, dificuldade de concentração e problemas digestivos.

A doença emocional atinge predominantemente aos profissionais mais comprometidos e com mais tempo de carreira, especialmente depois de três anos de atividade. Buscando entender a intensidade e os antecedentes do Burnout para identificar maneiras de prevenir essa síndrome junto aos policiais civis do DF as pesquisadoras do PROLAB, Laboratório de pesquisa do Mestrado em Psicologia do UniCEUB, solicitaram a autorização da Policlínica da Polícia Civil para conduzir a pesquisa “Teste do modelo integrado de Burnout entre policiais civis do DF: uma ampliação conceitual”.

A premissa das pesquisadoras era de que o burnout não é explicado isoladamente, mas por um conjunto de fatores. Em outras palavras, a culpa não é apenas da instituição, do desenho do trabalho, da falta de ajuste com os valores percebidos e nem da falta de estratégias  individuais  para lidar com o elevado stress no trabalho, é uma mistura de todas elas.

A pesquisa contou com a participação voluntária e anônima de 164 policiais. Os participantes tinham em torno dos 40 anos, a maioria do sexo masculino (56,4%), tinham em média 12 anos de profissão e trabalhavam em regime de plantão (72,4%). Todos responderam questionários on line com questões relativas ao desenho do trabalho, ajustamento a organização e sobre as estratégias de restauro utilizadas. Um dos principais achados, talvez evidente para a corporação, é que para este grupo de participantes, o número de policiais com burnout foi elevado.

De todas as variáveis estudadas, aquelas de maior controle das pessoas são as estratégias de restauro, ou de reparação. Elas são identificadas na literatura especializada por quatro variáveis: distanciamento psicológico, relaxamento, domínio e controle.  Em exemplo de distanciamento psicológico, seria tentar desligar do trabalho assistindo séries na TV ou sair para beber com os amigos. A variável de relaxamento refere-se a atividades de meditação, massagem ou Yoga. A de domínio remete ao aprendizado de coisas novas como idiomas, artes marciais, desenho, ter um hobby etc, e autonomia refere-se a tarefas ou atividades nas quais os indivíduos escolhem livremente que vão fazer e o tempo que destinam a estas iniciativas.

Segundo elas, as estratégias são, no geral, muito pouco utilizadas pelos policiais. Entretanto, as mais protetivas são as estratégias de relaxamento, domínio e autonomia, mesmo que isso impacte nas atividades rotineiras. Ou seja, usem: relaxamento, domínio e autonomia porque serão protetivas para você. As pesquisadoras da equipe alertam também que dessas estratégias a menos efetiva é de distanciamento psicológico, ou seja, a tentativa de se desligar conscientemente, pois ironicamente as pessoas continuam conectadas ao trabalho ou não conseguem o efeito desejado.

Por outro lado, encontraram também outro grupo de variáveis protetivas, mas que estão no escopo da gestão da Polícia Civil e do Sindicato. Entre elas: estimular ações de valorização da categoria, sustentar valores que a categoria se identificasse, dar visibilidade ao significado social da profissão que lida com situações desgastantes, além de aumentar a percepção de autonomia no trabalho. Todas elas aparecem como protetivas do burnout.

As pesquisadoras realizaram devolutivas para a equipe de psicólogos, de saúde mental, da Policlínica e tem se disponibilizado a realizar outras devolutivas da pesquisa com o objetivo de “cuidar dos cuidadores” e agradecem a todos os participantes da pesquisa que puderam viabilizar um estudo cuidadoso de estratégias e ações para dirimir um problema que afeta a diversos policiais da corporação.

Pesquisadoras responsáveis pela pesquisa: Paula Soares Lira Chagas; Dra.Amalia Pérez-Nebra e Dra.  Fabiana Queiroga (orientadoras).

Mestrado em Psicologia: https://www.uniceub.br/pdp/mestrado-e-doutorado/psicologia/mestrado-em-psicologia-


2 comentários

Amalia · 21 de abril de 2020 às 15:08

Parabéns Paulinha!
Sua monografia ficou muito bacana!
Amalia

Curso De Pompoarismo · 1 de abril de 2021 às 23:53

Sou a Cíntia Morais, gostei muito do seu artigo tem muito
conteúdo de valor parabéns nota 10 gostei muito.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *